O Contexto: Por Que Tanta Greve?
As greves na Argentina são uma resposta direta ao pacote de reformas, nas normas trabalhistas, proposto por Milei. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), as maiores centrais sindicais do país, estão na linha de frente, protestando contra o que eles chamam de medidas “regressivas” e “inconstitucionais”.
As principais ferramentas de Milei para essas mudanças são um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) e o famoso projeto de lei conhecido como “Lei Ônibus” (ou “Lei de Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos”).
- O Lado dos Sindicatos e Oposição: Eles argumentam que as reformas eliminam direitos trabalhistas conquistados há mais de meio século e beneficiam apenas o setor empresarial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse que emprestou dinheiro para a Argentina recentemente.
- O Lado do Governo: Milei e sua equipe defendem que as medidas são cruciais para a “modernização trabalhista”, para reduzir a informalidade (que atinge mais de 40% da força de trabalho) e para atrair investimentos estrangeiros ao país.
Fatos e Datas Importantes Dessa Novela
Essa não é a primeira vez que os argentinos param. Já houve greves gerais em 24 de janeiro de 2024, 9 de maio de 2024 e em abril de 2025. A de 19 de fevereiro de 2026 foi a quarta paralisação geral e teve um impacto enorme, principalmente no transporte.
- 11 de fevereiro de 2026: A reforma trabalhista é aprovada pelo Senado, em meio a protestos com feridos e detidos.
- 19 de fevereiro de 2026: A greve geral acontece, justamente no dia em que o projeto começa a ser debatido na Câmara dos Deputados.
- Madrugada de 20 de fevereiro de 2026: Após quase 11 horas de debate, a Câmara aprova a reforma com 135 votos a favor e 115 contrários.
- Próximos Passos: Como houve modificações na Câmara, o projeto precisa retornar ao Senado para a aprovação definitiva, que o governo espera que aconteça antes de março de 2026.
As Novas Regras do Jogo: O Que Muda na Lei Trabalhista?
A reforma trabalhista proposta por Milei é uma das mais amplas em décadas na Argentina. Se liga nas principais mudanças:
- Jornada de Trabalho: Mais flexibilidade! A jornada diária pode chegar a até 12 horas, desde que o limite semanal de 48 horas seja mantido.
- Período de Experiência: De 3 para 6 meses como regra geral. Pode ir a 8 meses para empresas médias e até 1 ano para microempresas, se houver acordo coletivo.
- Indenizações: Redução e limitação do teto das indenizações por demissão sem justa causa.
- Direito de Greve: Mais restrições! Praticamente todos os setores são classificados como “de suma importância”, exigindo a manutenção de 50% a 75% dos serviços durante as paralisações.
- Contribuições Previdenciárias: Podem ser desviadas para um “fundo de indenização” para compensar o custo das demissões.
- Flexibilização de Contratos e Férias: As regras de contratação ficam mais flexíveis, e o sistema de férias também muda, permitindo, por exemplo, a divisão das férias.
(Curiosidade: Alguns pontos polêmicos, como a redução do salário pela metade em caso de doença e a possibilidade de pagamento em moeda estrangeira ou carteiras digitais, foram retirados para facilitar a tramitação.)
A Defesa do Governo: Para Milei, essas mudanças vão reduzir custos judiciais e estimular a contratação formal, já que a Argentina tem um volume altíssimo de ações trabalhistas. Lembra até o Brasil, não é?!
O Dia da Paralisação: Impacto na Prática (19 de Fev de 2026)
A greve de 19 de fevereiro de 2026 não foi brincadeira. O país realmente parou:
- Transporte: Paralisação total de trens, ônibus e metrô em Buenos Aires e nas grandes cidades. O trânsito de carros particulares ficou caótico.
- Aviação: A Aerolíneas Argentinas cancelou 255 voos, afetando 31 mil passageiros e causando um prejuízo estimado em US$ 3 milhões. Latam e Gol também tiveram que cancelar operações.
- Comércio e Serviços: Bancos, repartições públicas, supermercados, farmácias e lojas fecharam as portas ou operaram com capacidade mínima.
- Protestos e Conflitos: Milhares de pessoas foram para a frente do Congresso. Houve confrontos com a polícia, que usou canhões de água e gás lacrimogêneo contra manifestantes que atiravam garrafas e pedras. O governo ainda aplicou um “protocolo antipiquetes” para proibir bloqueios e restringiu a imprensa a “zonas exclusivas”.
- Custo Econômico: Essa única greve custou cerca de US$ 575 milhões (quase R$ 3 bilhões), o equivalente a 0,8% do PIB de fevereiro!
E o Brasil com Isso?
Não pense que a Argentina está tão longe assim. As greves por lá têm impacto direto aqui no Brasil, especialmente para quem viaja ou faz negócios:
- Voos Cancelados: A greve de fevereiro de 2026 cancelou pelo menos 62 voos com destino ou origem na Argentina nos aeroportos do Galeão (RJ) e Guarulhos (SP). As companhias aéreas ofereceram remarcações e reembolsos.
- “Custo Argentina”: Essa instabilidade cria um verdadeiro “custo Argentina” para o Brasil. Isso se traduz em atrasos, remarcações, fretes mais caros, maior risco para investimentos e decisões adiadas, afetando o comércio entre os 2 países.
- Solidariedade: Em greves anteriores, como a de janeiro de 2024, houve até manifestações de apoio aos trabalhadores argentinos aqui no Brasil, inclusive em Porto Alegre.
A situação na Argentina é um lembrete importante de como as reformas econômicas e trabalhistas podem gerar grandes tensões sociais e econômicas. Pois bem... Fique ligado no Fale Cara para mais análises sobre finanças e trabalho!

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