quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Conheça um pouco da História do Carnaval de Olinda


A história do carnaval de Olinda se confunde com a história da folia no Recife, capital de Pernambuco. A configuração atual do carnaval de Pernambuco é relativamente recente, que foi marcado pelo surgimento de agremiações como o Clube Carnavalesco Misto Lenhadores (1907), e o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas (1912) - ambos ainda presentes nos carnavais da atualidade.
O carnaval de Olinda, especificamente, preserva as tradições da folia pernambucana. Todos os anos, pelas ruas e ladeiras da Cidade Alta desfilam centenas de agremiações carnavalescas e tipos populares, que mantêm vivas as genuínas raízes da mais popular festa do Brasil. São clubes de frevo, troças, blocos, maracatus, caboclinhos, afoxés, cujas manifestações traduzem a mistura dos costumes e tradições de brancos, negros e índios, base da formação da cultura brasileira.




Em 1977 o carnaval de Olinda se tornou eminentemente popular. Nesse ano, foram abolidos da folia olindense a comissão julgadora, a passarela e o palanque das autoridades, elementos considerados cerceadores da plena participação popular, o que lhe garantiu através do tempo o título de "Carnaval Participação". Hoje, mais de um milhão de pessoas vindas de todo o mundo lotam as ruas e ladeiras do Sítio Histórico da cidade em busca da efervescência e da alegria da festa. Uma folia alimentada por cerca de 500 agremiações carnavalescas locais e de outros municípios pernambucanos.

Em Olinda a festa do frevo é eminentemente democrática e popular, características que se evidenciam na convivência harmoniosa do frevo com outras manifestações culturais da cidade, como o maracatu. Uma festa que, a cada ano, se torna ainda mais participativa graças à disposição do governo de Olinda de resgatar as características culturais e ampliar a integração popular de uma das maiores manifestações coletivas do Brasil.

Dentre os elementos característicos da folia olindense estão os bonecos gigantes, dos quais todo ano são criados novos tipos, e hoje já são mais de uma centena desfilando nas ruas e ladeiras da cidade. Esses bonecos são uma herança europeia e têm sua origem nas procissões do século 15, nas quais os bonecos acompanhavam os cortejos religiosos. O primeiro boneco a sair às ruas de Olinda foi o Homem da Meia-Noite, que anima a folia desde 1932. Os tipos populares também sempre desfilam pelas ladeiras de Olinda. A cada ano, eles representam personagens inspirados tanto nos noticiários, como nos mais tradicionais costumes, carregando em suas fantasias a crítica social tradicionalmente presentes no carnaval da cidade.
O carnaval é aberto a todos; não existe cobrança de ingressos ou necessidade de abadás. Desde cedo, crianças são trazidas pelos pais para participar da festa; de outro lado, pessoas da terceira idade retornam à juventude e também caem na folia. Em Olinda, os festejos são protagonizados pelo povo. Não existem sambódromos na cidade: todas as ruas são tomadas pelo povo. Não há trios elétricos em Olinda: a animação e o ritmo são mantidos pelos populares, que formam grupos de todos os matizes, com variados instrumentos e tocando as músicas que desejarem. Não há programação no carnaval de Olinda: há apenas um dia para começar e outro para terminar; há blocos que ficam até tarde da noite, outros que saem no começo da manhã. Considerado o maior bloco do mundo, o Galo da Madrugada arrasta 1,5 milhão de pessoas para o centro do Recife.

Bloco Bacalhau do Batata:
é um bloco de carnaval que sai pelas ladeiras de Olinda arrastando uma multidão de foliões na quarta-feira de cinzas.O bloco, cujo estandarte é um bacalhau, juntamente com outros ingredientes culinários, foi criado por um garçom, chamado Batata, que trabalhava durante todo o carnaval e não podia brincar devido o emprego e por isso criou o bloco para sair na quarta-feira de cinzas.




A tradição do Bacalhau do Batata teve origem ainda em 1962, quando o garçom Isaías Pereira da Silva (falecido em 11993), e apelidado como Batata, organizou na quarta-feira de cinzas, um bloco carnavalesco destinado àqueles que, por trabalharem durante o período de festas momescas, deixavam de brincar o Carnaval.
A saída do bloco está prevista para as 9h30. O percurso do desfile segue a tradição: ladeira da Sé, Rua do Bonfim, Quatro Cantos, Ribeira, Varadouro, Largo do Amparo, com o retorno sendo feito no bairro do Carmo. A festa fica por conta com umas das melhores orquestra de frevo de olinda e a presença ilustre do boneco gigante que representa o falecido Batata, garçon que idealizou o bloco. Com o passar dos anos, mais blocos e foliões foram aderindo e o carnaval, oficialmente encerrando-se na madrugada da terça para a quarta-feira, acabou sendo estendido.
Em 2007 a Escola de samba Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro, homeageou com uma ala o Bacalhau do Batata, com referência ainda no seu samba-enredo: "E o Bacalhau do Batata na bandeja pra massa / Até o dia clarear..." O garçom Isaías foi destaque, representado por Irênio Dias. Ao todo, catorze fantasias diferentes representaram o bloco pernambucano, sendo que a Ala dos Compositores da Escola desfilou vestida de garçom.


Bloco Enquato Isso na Sala da Justiça
Bloco A Porta
Bloco Acorda
Bloco Patuscos





Bloco Elefantes:
O hino do Elefante de Olinda é um dos mais tocados no Carnaval de Pernambuco. Quando a música toca, parece que todos os foliões despertam numa alegria sem fim. Considerado uma das troças mais tradicionais de Olinda, o hino do bloco tem uma história curiosa. A canção, na realidade chama-se "Olinda nº,1" e por não possuir a palavra elefante, em sua versão original, foi pouco aceita pelos fundadores do bloco. Logo em seguida, o compositor, Cláudio Nigro ofereceu à troça rival: A pitombeira dos Quatro Cantos. Porém o bloco também rejeitou a canção. Após três anos sem ninguém querer a música, Clóvis Vieira, junto a Cláudio, colocou a palavra elefante no hino. Depois disso a música nasceu e é praticamente o hino da cidade de Olinda.

Hino:
Ao som dos clarins de Momo o povo aclama com todo ardor,
O Elefante exaltando as suas tradições, e também seu esplendor.
Olinda, este meu canto foi inspirado em teu louvor,
Entre confetes, serpentinas venho te oferecer com alegria o meu amor.
Olinda, quero cantar a ti esta canção, teus coqueirais, o teu sol, o teu mar,
Faz vibrar meu coração de amor a sonhar, minha Olinda sem igual,
Salve o teu Carnaval!
O Bloco da Vitória está na rua desde que o dia raiou 
Vem ó minha gente, prô o nosso cordão 
Que a hora da virada chegou ! Ô... Ô ... Ô ... Ô... 
Quando o povo decide cair na frevança não há quem dê jeito 
Aguenta o rojão, ficar sem comer 
Mas, no fim. Ei ! Tá tudo ok ! 
Neste Carnaval, Quá! Quá! Quá! Quá! 
O prazer é gargalhar e com bate-bate de maracujá 
A nossa vitória, vamos festejar
Nós somos da Pitombeira não brincamos muito mal,
Se a turma não saísse não havia carnaval
Se a turma não saísse não havia carnaval 
Bate-bate com doce, Eu também quero, Eu também quero, Eu também quero.
Bate-bate com doce, Eu também quero, Eu também quero, Eu também quero.
Bate-bate com doce, Eu também quero, Eu também quero, Eu também quero.
Bate-bate com doce, Eu também quero, Eu também quero, Eu também quero.
A Turma da Pitombeira na cachaça é a maior,
Se o doce é sem igual como ponche é ideal
Se a turma não saísse não havia carnaval.
Bate-bate com doce, Eu também quero, Eu também quero, Eu também quero.
Bate-bate com doce, Eu também quero, Eu também quero, Eu também quero.
Bate-bate com doce, Eu também quero, Eu também quero, Eu também quero.
Bate-bate com doce, Eu também quero, Eu também quero, Eu também quero.




Fique por dentro do que acontece nos 4 dias do Carnaval de Olinda: 
Não são apenas os tradicionais bonecos que vão fazer a festa no Carnaval de Olinda neste ano. Um dos mais antigos, o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, por exemplo, chegou ao seu centenário na Terça-feira (2012) Gorda. Já o clube do Elefante alcança aos 60 anos, enquanto a troça Ceroula se torna uma cinquentona. 

Outra grande atração do Carnaval local é famoso desfile do Homem da Meia Noite, que completa oito décadas de existência e foi responsável por iniciar a tradição dos bonecos nas ruas da cidade. Por esse motivo, além do tradicional desfile realizado no sábado, o grupo também se apresentará na segunda-feira, desta vez com carros alegóricos, fato que não ocorria desde 1972. Os veículos contarão ainda com a participação de dez artistas circenses da Escola Pernambucana de Circo, indo desde malabaristas até acrobatas. 

A terça-feira também marca o desfile dos Bonecos Gigantes, marca registrada da folia olindense. Serão nada menos do que 150 deles, que devem arrastar uma verdadeira multidão pelas ruas da cidade pernambucana. Durante todos os dias de festa, cerca de 800 agremiações passarão pelas ladeiras da cidade. Soma-se a isso mais de 200 orquestras itinerantes e 50 cortejos noturnos, que vão às ruas sempre após as 19h. 

Para espalhar o clima de festa por todo o município, a prefeitura organizou ainda 15 polos de animação, agitando os foliões que estarão mais distantes da área central.