O Jogo Virou: Saúde Mental no Trabalho é Responsabilidade da Empresa (e a NR-1 Explica Tudo!)

Atenção, profissionais de RH, SST, DP e líderes empresariais! O cenário da saúde mental no ambiente de trabalho brasileiro acaba de passar por uma transformação profunda. Se antes era um tema tratado como 'bem-estar' ou 'diferencial', agora a saúde mental é, por lei, uma questão de responsabilidade corporativa. E a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) está no centro dessa mudança importante para empresas e trabalhadores.

A ASSERJ (Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro) já está de olho e abriu a agenda do Conselho de RH de 2026, em 25 de fevereiro, com um encontro estratégico sobre 'Saúde Mental no Trabalho – responsabilidade, prevenção e segurança jurídica no contexto da NR-1'. Isso mostra que o mercado já está se movimentando. Mas o que exatamente mudou e como sua empresa deve se preparar?

As Novas Regras do Jogo: NR-1 e Saúde Mental

A grande virada veio com a atualização da NR-1, por meio da Portaria MTE nº 1.419/2024. Pela primeira vez, a norma exige explicitamente que os riscos psicossociais sejam incluídos no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Isso não é pouca coisa!

Estamos falando de reconhecer oficialmente como riscos ocupacionais fatores como:

  • Estresse crônico
  • Assédio moral
  • Sobrecarga de trabalho
  • Pressão emocional
  • Conflitos interpessoais
  • Esgotamento mental (Burnout)

A Dra. Barbara Ferrari, especialista em Direito do Trabalho, reforça que a nova NR-1 exige uma abordagem estruturada e documentada para identificar e gerenciar esses riscos. Complementando esse avanço, a Lei 14.831, sancionada em 2023, já estabelecia a obrigatoriedade de programas de saúde mental no trabalho. Ou seja, a pauta é séria e veio para ficar.

Por Que Isso Importa? Os Números Falam por Si

Essa mudança não é aleatória. Ela reflete uma realidade alarmante no Brasil: o aumento expressivo de afastamentos por transtornos mentais. Em 2024, foram mais de 470 mil afastamentos por ansiedade, depressão e Burnout – o maior número da última década. Outras fontes apontam para mais de 546 mil benefícios por incapacidade concedidos em 2025 por transtornos mentais e comportamentais, um recorde histórico.

Além do impacto humano, há um custo financeiro brutal (sobra nada para o beta). A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que problemas de saúde mental geram perdas superiores a R$ 400 bilhões por ano em produtividade no Brasil. É um cenário que nenhuma empresa pode ignorar.

Fique de Olho: Datas Chave para a Adequação

  • 25 de fevereiro de 2026: O Conselho de RH da ASSERJ já iniciou as discussões. Sua empresa não pode ficar para trás!
  • Maio de 2026: Prazo final para as empresas se adequarem às novas exigências da NR-1. Fique atento, pois multas serão aplicadas a partir desta data.
  • Outras reuniões do Conselho de RH da ASSERJ em 2026: 14 de abril, 16 de junho, 18 de agosto, 15 de setembro e 24 de novembro. O tema da saúde mental continuará em pauta.

Na Prática: Como sua Empresa se Prepara?

A contagem regressiva começou. Não basta ter um PGR e PCMSO engavetados. A nova era exige proatividade e integração. Veja o que sua empresa precisa fazer:

  • Mapeie os Riscos Psicossociais: Isso significa ir além do óbvio. Ouça suas equipes (pesquisas de clima, conversas individuais), analise rotinas, indicadores de absenteísmo, rotatividade, turnover e acidentes. Entenda o que está adoecendo seus colaboradores.
  • Adote uma Abordagem Preventiva: O foco deve ser em evitar o problema, não apenas remediar. Invista em fortalecer relações, promover a escuta qualificada e criar um ambiente que favoreça a qualidade de vida, reduzindo a medicalização excessiva dos empregados.
  • Revise Modelos de Gestão e Liderança: Líderes são peças-chave. Eles precisam estar capacitados para organizar o trabalho de forma sustentável, evitando ambientes de urgência permanente, metas confusas e comunicação falha que geram estresse e retrabalho (odeio retrabalho).
  • Integre Áreas Estratégicas: Saúde e Segurança do Trabalho (SST), Gestão de Pessoas (RH), Cultura Organizacional e Jurídico precisam trabalhar juntos. A troca de informações e a documentação confiável são essenciais para a conformidade.
  • Monitoramento Contínuo: O PGR não é um documento estático. Ele deve ser atualizado periodicamente (no mínimo anualmente ou sempre que houver mudanças significativas), com base em indicadores como afastamentos, turnover e resultados de pesquisas de clima. Além de informações do ambiente ser declarada no eSocial.

A adequação à nova NR-1 é mais do que uma obrigação legal; é uma oportunidade de construir uma cultura organizacional mais empática, preventiva e sustentável. É hora de aproximar a gestão de riscos da experiência real dos trabalhadores e, de quebra, colher os frutos de uma equipe mais saudável e produtiva.

Para líderes e colaboradores que buscam fortalecer a resiliência e criar um ambiente mais saudável, investir em desenvolvimento pessoal é fundamental. Um ótimo ponto de partida é o livro Hábitos Atômicos, que oferece um método prático para construir rotinas que impactam positivamente a produtividade e o bem-estar.

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